Sexta-feira, Maio 15, 2009

O Complexo Super Homem Vs. Batman

Eu encontrava-me no refeitório da faculdade com um amigo e uma amiga, entre pratos duvidosos de soja e dum arroz de galinha que já parecia ter sido suspeitosamente remisturado do frango dontem. E ao deparar-me com esta situação vulgar da minha rotina, tive assim uma epifania do quão este momento glorioso de encher o estômago e o coração de alegria saltitante era o ponto alto do dia, visto que como muitas pessoas, o gastava completamente desde as 9 da manhã até à meia noite em aulas, trabalhinhos e no emprego. 

É uma sensação um bocado estranha de descrever, esta aceitação da futilidade mediana do nosso quotidiano repetitivo, sabes o que estou a dizer? Hmm era como se fosses obrigada a digerir diariamente uma sandocha cheia de indiferença, tédio, complacência, sem ketchup, condimentos, nem sequer aquela rodela de pickle irritante no meio, e sentires-te feliz porque isto é o melhor que a sociedade moderna tem para oferecer, quer tenhas mais ou menos dígitos na conta bancária. 

Na parte de trás do nosso subconsciente ouço a vozinha duma criancinha ranhosa e desconsolada: 

“Para onde é que foram as grandes aventuras, a magia e todos os nossos heróis?” 



Ohhhhhhhhhhhhh memento mori...................

Realmente é por isso que eu não suporto crianças.

Seja como for, nos dias que vão se esmorecendo, em que sou abençoado com a sabedoria dos meus longos e caquéticos 22 anos, só queria mesmo tar deitado na praia sob um solinho meigo, a beber pinacoladas e a tentar assediar miúdas parvas....

Enfim, de volta à cantina da escolinha, para passar o tempo estávamos a travar daquelas discussões mornas de almoço que toda gente tem de vez em quando e nunca chegam a grande conclusão. Os meus colegas tinham acabado de ir ver o filme Watchmen e o tema foi obviamente parar a super-heróis. 

-- Então se pudesse escolher ser um herói, qual a máscara é que usarias? – perguntei eu.

-- Hah, tenho que pensar um segundo, isso é uma daquelas coisas que até diz mais sobre nós próprios do que o nosso signo aleatório do horóscopo. – disse a Rapariga Cândida. 

-- Para mim a resposta é simples. Se eu fosse o Super Homem fazia o que me apetecia. Com aqueles poderes todos não teria mais preocupações.– sugeriu o Rapaz-Cromo.


-- Epá, não sejas estúpido. Tinhas de aturar ainda mais problemas que agora. A angústia de tentar salvar o mundo todos os dias, aturar a bronca da Louis Lane que é enganada só por um par de óculos, francamente que gaja tão burra! E afinal se és supostamente o homem de aço e tens uma força ilimitada, bastava-te vires para cima dela que a fazias perder um olho ou agarrares-lhe pelo cabelo com força para ela ficar sem escalpe. E depois tens de enfrentar o maldito careca do Lex Luthor sempre a tentar matar-te com a kryptonite, epá era uma carga enorme de problemas e sem ninguém com quem conversares, só terias vontade de largar a capinha e as cuecas foras das calças e tornares-te noutra pessoa. Tipo um gajo vulgar como tu. – comentou a Rapariga Cândida com a sua enorme perspectiva do costume. 


-- Fónix, mas ao menos podia espiar gajas na casa de banho com os raios X. E ver as mamas de toda gente, até da Manuela Ferreira Leite se me apetecesse. Okay. Não que eu fizesse isso. Muitas vezes. – desculpou-se o Rapaz Cromo.

-- És sempre o mesmo cromo. – ela olha para mim – E tu rapaz? Qual é que seria a tua persona mascarada?

-- Hmm, o Rorschach é muito porreiro e hard core, mas acho que o Batman seria a minha primeira escolha. Afinal ele tem o poder mais fantástico de todos eles. É podre de rico. 

-- Lá isso é verdade, mas o Batman é um herói um bocado deprimente, só sai à noite, só enfrenta vilões psicóticos que fugiram do manicómio. Por amor de Deus, um pinguim e um palhaço??? E além disso está todo traumatizado porque os pais foram assassinados à sua frente. E para lidar com esses problemas pessoais todos em vez de ir resolvê-los a um psiquiatra, limita-se simplesmente a comer gajas discartáveis frequentemente através da sua fachada de playboy bilionário Bruce Wayne, e a atirar-se à porrada contra todos os matulões mal encarados que encontra na cidade vestido num fato morcego apertado. O gajo é quase um arquétipo do homem macho atormentado que não faz ideia do que está a fazer da vida, e as histórias dele acabam sempre em tragédia precisamente por isso. 

 
--Awh man.... Tens sempre de analisar tudo pra mandar abaixo. Fogo, então e qual é a tua sugestão definitiva? Que personagem fantástica é que TU escolherias? 

-- Eu seria obviamente a Lara Croft. Achas que com o corpo e classe da Angelina Jolie eu precisaria de mais alguma coisa?


Porra, não gosto nada de admitir, mas ela alguma razão lá isso tinha...
Diz muito sobre um gajo ou uma gaja pelos heróis que aprecia.

E quanto a ti.....? Quem é que é o teu herói ou heroína pessoal?


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