Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Um Doppelgänger Fora De Contexto?

Saí hoje do meu “loft” espaçoso em Arroios, que era o hang out do costume da malta, depois de mais um dia de trabalho. Estava uma tarde agradável, e decidi dar uma volta antes de regressar a Telheiras City.  

Ando meio ocupado com um projecto cinematográfico parvo este mês, nada de especial, e estou a cruzar os dedos para algo de bom sair disto, porque às vezes nem toda a determinação, talento e sabedoria nos acudam (não que eu possua em fartura alguma dessas qualidades), se não tivermos um bocadinho de sorte...

Realmente nada melhor que estarmos imersos num trabalho pelo qual achamos profundamente apaixonante. É uma distracção tão apaziguante que nos faz esquecer todas as outras preocupações, e o coração deixa simplesmente de se queixar. Como o meu velho diz sempre, se encontrares algo que gostas mesmo de fazer, nunca mais vais sentir que estás a trabalhar na vida. Mas tal como o amor, essa teoria desfaz-se logo quando há falta crónica de dinheiro.

Enfim, eram já seis da tarde, e estava a caminhar depressa para o metro na Avenida Almirante Reis quando sinto o cheiro intenso a qualquer coisa a arder no ar... como se alguém tivesse assado demasiado um naco de carne... reparo ao longe numa miúda morena de olhar demasiado sério a andar toda desconjuntada, de queixo meio descaído e braços tortos, que me causava uma vontade instintiva incrível de ir-lhe pregar-lhe uma rasteira só para vê-la cair e partir-se toda. Lá porque estamos mais velhos não significa que certas atitudes sádicas dos tempos queridos da primária se desvaneçam por completo.

Mas apesar do seu aspecto inofensivo, tinha o feeling terrível que ela era no fundo um fogo selvagem que podia deixar em chamas seja quem for que se aproximasse dela. Capaz de queimar o juízo até à alma mais razoável.





No entanto isso não me tirava a vontade de atirar-lhe um balão de água à cara e encharcá-la até aos ossos.

E então apercebi-me da razão desse desejo.

Era porque fazia lembrar-me uma certa badalhoca.

Hmm, andava tão entretido que não pensava nela há um mês. Encolhi os ombros... Também não tinha um motivo particular para isso.

Só se ganhasses subitamente o euromilhões, então sim, nunca mais te largava. Por favor, financia-me isto, é para o bem da arte, da Humanidade e tudo o resto...!

Pergunto-me o que é que estarias a tramar? Será que estavas bem...?

Ah, não que eu esteja muito preocupado. Não é como se tivesses perdido uma perna ou a sofrer de Creutzfeldt-Jakobs como uma vaca louca, o máximo que te acontece de vez em quando é sentires-te meio frita da cabeça como toda gente.

Talvez volte a escrevinhar-te alguma história mais ou menos divertida. Porque fazer algo mais... bem, amanhã será um novo dia... depois logo se vê.  

Vi a Rapariga Doppelgänger desaparecer pela avenida abaixo e decidi que estava mesmo a precisar agora duma distracção mais potente... onde é que será a festa de faculdade com música de anos 80 mais próxima...?

Há tanto tempo que não danço “Where is my man”... Rrrrr.....


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