Sexta-feira, Agosto 29, 2008

A Alma Gémea Do Outro Lado Do Espelho



Estava a fazer arrumações ao quarto quando encontro no fundo do armário uma data de tralha empacotada que não é minha, e um caderninho preto amarrotado do meu mano mais velho. Há uma eternidade que não pensava no tipo...

Como se tivesse sofrido duma amnésia selectiva estilo aquele filme marado do Eternal Sunshine, e uma pessoa deixasse de efectivamente existir na realidade quando a lembrança dela na nossa mente se apaga.

Não, nunca o conheceste... Não te esquecias dele se o tivesses encontrado. Porque ia de certeza gozar a torto e a direito contigo, principalmente com uma pita marreca que pensa que percebe o coração de toda gente, quando mal governa as suas tripas a maior parte das vezes. 

Mas quando se orienta...  faz-me sentir que está tudo bem com o mundo. E as coisas vão correr lindamente a sério.

Ou quase.  

Hmm, quem era ele realmente perguntas tu? 

O meu Big Brother...

Não faço ideia... Provavelmente nunca o soube...

Se é que é interessa a alguém, a única coisa que sei dizer é que o livro preferido dele era o V-Vendetta.

Ele relia-o todos os meses.  Dizia que se identificava com o anti-herói da história. 

E a música favorita dele: 

“Everybody's got to learn sometime” dos Korgis.

Tão lamechas.



É engraçado as pequenas recordações que ficam das pessoas que nos são supostamente queridas quando passa demasiado tempo. Acabam por parecer tão insignificantes. As cenas realmente importantes que devíamos reter desvanecem-se gradualmente, por muito que tentemos agarrar-nos a elas, tornando-se em memórias das memórias, depois numa vaga imagem aproximada disso, até que no fim desaparecerem por completo e não resta nada.

Que puta de vida.

Suspiro e folheio meio tristemente o caderno dele quando paro numa página amarelada: 

"Eu leio poesia quando estou doente da alma, tomo psicotrópicos quando estou mal da cabeça, e vou às afters quando o meu corpo está tenso, e.... sobrevivo... mas será que existe alguma cura para um coração partido?"

"Ya, existe." 

"Vingança."


Ele era tão feliz mas... ah... usava só máscaras... só máscaras...

todos os dias.  

...E não me apetece mais falar agora desse cabrão.



1 commentários:

Glyphica disse...

És triste, infeliz. E, se continuares assim vais morrer solitário!

Palestina... (só faltam mais duas vezes)