
"Think what a better world it would be if we all, the whole world, had cookies and milk about three o'clock every afternoon and then lay down on our blankets for a nap."
Estava a revirar-me na cama que nem um carapau fora de água, mas não conseguia adormecer. Se calhar é do calor, vou tirar a roupa toda... até que fiquei só de boxers... e continuei à espera... huh, tou na mesma. Experimentei dormir de lado esquerdo, mas não gosto de estar deitado sobre o coração, do lado direito estava a incomodar-me a orelha, de costas aquecia-me a cabeça demasiado, de barriga para baixo nunca conseguia respirar.... Hmm AAAAHHHHHH! Não acredito que estou outra vez a sofrer de insónias. Com catano. Senti uma inveja tremenda agora das pessoas sortudas que têm sempre Valium na mesa de cabeceira, isso ajuda mais que ter a nossa cara-metade ao lado na cama, porque ela pode muito bem ressonar, andar a noite toda aos pontapés e roubar os lençóis todos. Tss ok, até calhavam bem dois comprimidos pela garganta abaixo, preciso mesmo de perder a consciência por algumas horas. É realmente uma alegria e uma bênção não sentir nada. Mas só temporariamente, estar morto não tem piada nenhuma, e é uma seca do caraças não puder chatear os cornos a alguém. Olhei para o relógio vermelho na escuridão:
4:34
Raios, amanhã tenho de levantar-me cedo para um compromisso, não posso faltar senão já sei que vão cair-me em cima. E não me apetecia muito chumbar por causa deste projecto parvo. Pronto, já chega, vou assaltar o frigorífico, a única solução santa pra matar a falta de sono. Fui à cozinha, enchi um copo de leite e aqueci-o.
Saboreei-o até ao fim, hmm, era mesmo disto que estava a precisar.
Mas se calhar um não chega, é melhor mais outro e outro só pra certificar uma viagem descansada à Terra do Nunca. Realmente o ser humano é mesmo um bicho estranho, deve ser o único mamífero no mundo que bebe leite durante a vida adulta, e ainda por cima desses quadrúpedes com o nome de vacas. Porra, agora que penso bem nisso é um bocado pró perturbador.
Voltei depois para a cama onde finalmente consegui para minha surpresa dormir o sono dos justos.
E sonhei....
Estava num sítio escuro, quente e suado, com uma música familiar da Madonna a ribombar por ali dentro, luzes coloridas esfumadas a reflectirem-se como um carrossel nas sombras que se moviam à minha volta, e quando se aproximam de mim reparo que são pessoas a dançar drogadamente. Mas ao olhar melhor apercebo-me que estou completamente rodeado de homens com máscaras, de todos os géneros e feitios desde de cara coberta a corpo inteiro como se fosse uma festa grotesca onde ninguém precisava de mostrar o que era no fundo do coração e podiam fingir o que gostavam de ser mais.
Sinto alguém a esfregar-se nas minhas costas, dou um salto e olho para trás alarmado. Não... não podia ser... era o Sócrates... José Sócrates... todo nu e vestido só com uma tanga de pele de leopardo.
-- Olá, mim ser Tarzan... Queres ser o meu tigre?
-- Huh... euh... mas o que é aconteceu à Jane? – perguntei eu pasmado.
-- Jane falava demasiado, por isso assei-a pró jantar. Tarzan gosta é de montar grande tigre!
-- Ahhhhh..... não obrigado. – e afastei-me nervosamente do tipo. Eu bem sabia que havia qualquer coisa de suspeito naquele gajo, e não era o raio do diploma inventado da Independente.
Cambaleei para trás e choquei contra alguém para minha desgraça. Virei-me com receio e vejo à minha frente um preto enorme vestido de uniforme azul. Oh.... era o polícia gay dos Sete Palmos de Terra...
-- Alto lá, o que é que temos aqui... um meliante a faltar ao respeito à autoridade, huh? – e começa a brincar com um par de algemas e um bastão.
-- Não não... – desculpei-me eu...
-- Bem parece que vou ter que prendê-lo e revistá-lo a fundo.
-- Não é preciso, a sério....
-- Não tenhas medo. – ele estala os dedos e aponta para si próprio – Once you go black, you never go back!
-- AAAaaaahhhhhhhh!!! – e desatei a fugir desvairado do gajo.
Corro por entre a multidão apertada aos saltos, mas não consigo a ir a lado nenhum, e só me perco cada vez mais, sentindo mãos a agarrarem-me na roupa enquanto a música fica cada vez mais ensurdecedora e sufocante. Até que surge o refrão e ouço toda gente a cantar:
Gimme gimme gimme
a man after midnight
Won't somebody help me
chase the shadows away
Gimme gimme gimme
a man after midnight
Take me through the darkness
to the break of the day
E começa a descer uma bola de espelhos enorme do tecto girando a uma velocidade impossível, soltando uma cascata de confettis que se espalha pela pista de dança como flocos de neve num dia de Verão.
Mas onde é que eu fui parar?? A um inferno disco gay dos anos 70?? Tenho de fugir daqui... fugir fugir fugir...
Continuo a tentar penetrar através da massa masculina de corpos dançantes até que encontro uma abertura e vou ter a uma clareira no meio do salão. E dum momento para outro, fica tudo silencioso por uns instantes intermináveis. Até que vejo os mosaicos com luzes brancas por debaixo do pavimento a acenderem-se todos e a piscarem alternadamente, quando entra na pista sem mais nem menos um vulto vestido de negro, com uma respiração profunda asmática...
Era o Darth Vader da Guerra das Estrelas. Ele saca dum longo sabre de luz vermelho, e começa a rodopiá-lo na escuridão, abanando-o todo à minha frente num gesto de provocação.
-- Join The Gay Side, Luke. – declara ele numa voz grossa.
-- Não nunca.... não quero. – recuso-me eu dramaticamente.
-- É o teu destino. Não podes lutar contra ele. – ele fecha o punho.
-- Quem és tu para me dizeres isso?
Ele tira o capacete e a máscara, e revela ser o meu amigalhaço, o Rapaz-Galã.
4:34
Raios, amanhã tenho de levantar-me cedo para um compromisso, não posso faltar senão já sei que vão cair-me em cima. E não me apetecia muito chumbar por causa deste projecto parvo. Pronto, já chega, vou assaltar o frigorífico, a única solução santa pra matar a falta de sono. Fui à cozinha, enchi um copo de leite e aqueci-o.
Saboreei-o até ao fim, hmm, era mesmo disto que estava a precisar.
Mas se calhar um não chega, é melhor mais outro e outro só pra certificar uma viagem descansada à Terra do Nunca. Realmente o ser humano é mesmo um bicho estranho, deve ser o único mamífero no mundo que bebe leite durante a vida adulta, e ainda por cima desses quadrúpedes com o nome de vacas. Porra, agora que penso bem nisso é um bocado pró perturbador.
Voltei depois para a cama onde finalmente consegui para minha surpresa dormir o sono dos justos.
E sonhei....
Estava num sítio escuro, quente e suado, com uma música familiar da Madonna a ribombar por ali dentro, luzes coloridas esfumadas a reflectirem-se como um carrossel nas sombras que se moviam à minha volta, e quando se aproximam de mim reparo que são pessoas a dançar drogadamente. Mas ao olhar melhor apercebo-me que estou completamente rodeado de homens com máscaras, de todos os géneros e feitios desde de cara coberta a corpo inteiro como se fosse uma festa grotesca onde ninguém precisava de mostrar o que era no fundo do coração e podiam fingir o que gostavam de ser mais.
Sinto alguém a esfregar-se nas minhas costas, dou um salto e olho para trás alarmado. Não... não podia ser... era o Sócrates... José Sócrates... todo nu e vestido só com uma tanga de pele de leopardo.
-- Olá, mim ser Tarzan... Queres ser o meu tigre?
-- Huh... euh... mas o que é aconteceu à Jane? – perguntei eu pasmado.
-- Jane falava demasiado, por isso assei-a pró jantar. Tarzan gosta é de montar grande tigre!
-- Ahhhhh..... não obrigado. – e afastei-me nervosamente do tipo. Eu bem sabia que havia qualquer coisa de suspeito naquele gajo, e não era o raio do diploma inventado da Independente.
Cambaleei para trás e choquei contra alguém para minha desgraça. Virei-me com receio e vejo à minha frente um preto enorme vestido de uniforme azul. Oh.... era o polícia gay dos Sete Palmos de Terra...
-- Alto lá, o que é que temos aqui... um meliante a faltar ao respeito à autoridade, huh? – e começa a brincar com um par de algemas e um bastão.
-- Não não... – desculpei-me eu...
-- Bem parece que vou ter que prendê-lo e revistá-lo a fundo.
-- Não é preciso, a sério....
-- Não tenhas medo. – ele estala os dedos e aponta para si próprio – Once you go black, you never go back!
-- AAAaaaahhhhhhhh!!! – e desatei a fugir desvairado do gajo.
Corro por entre a multidão apertada aos saltos, mas não consigo a ir a lado nenhum, e só me perco cada vez mais, sentindo mãos a agarrarem-me na roupa enquanto a música fica cada vez mais ensurdecedora e sufocante. Até que surge o refrão e ouço toda gente a cantar:
Gimme gimme gimme
a man after midnight
Won't somebody help me
chase the shadows away
Gimme gimme gimme
a man after midnight
Take me through the darkness
to the break of the day
E começa a descer uma bola de espelhos enorme do tecto girando a uma velocidade impossível, soltando uma cascata de confettis que se espalha pela pista de dança como flocos de neve num dia de Verão.
Mas onde é que eu fui parar?? A um inferno disco gay dos anos 70?? Tenho de fugir daqui... fugir fugir fugir...
Continuo a tentar penetrar através da massa masculina de corpos dançantes até que encontro uma abertura e vou ter a uma clareira no meio do salão. E dum momento para outro, fica tudo silencioso por uns instantes intermináveis. Até que vejo os mosaicos com luzes brancas por debaixo do pavimento a acenderem-se todos e a piscarem alternadamente, quando entra na pista sem mais nem menos um vulto vestido de negro, com uma respiração profunda asmática...
Era o Darth Vader da Guerra das Estrelas. Ele saca dum longo sabre de luz vermelho, e começa a rodopiá-lo na escuridão, abanando-o todo à minha frente num gesto de provocação.
-- Join The Gay Side, Luke. – declara ele numa voz grossa.
-- Não nunca.... não quero. – recuso-me eu dramaticamente.
-- É o teu destino. Não podes lutar contra ele. – ele fecha o punho.
-- Quem és tu para me dizeres isso?
Ele tira o capacete e a máscara, e revela ser o meu amigalhaço, o Rapaz-Galã.

-- Eu sou o teu melhor amigo.
-- Tu???? Não pode ser. Nãaaaaooo.…
-- Esta é a verdade.
-- Não acredito, e então aqueles anos todos a seduzir raparigas? Foram pra quê pá?
-- Todos usamos máscaras, mas quando ela se torna demasiado pesada para carregá-la, ou nos libertamos dela através da verdade ou não vale a pena mais continuar vivo.
-- Huh?? Mas que parvoíces filosóficas são essas? O que é que te aconteceu homem?
-- Vem junta-te a mim... juntos conquistaremos a galáxia! – e estende a mão enluvada na minha direcção.
-- Nunca! – e atiro-me para o lado saindo da clareira para o meio das pessoas.
E de repente ao longe, aparece em cima das colunas um bombeiro de chapéu e calças amarelas com suspensórios, em tronco nu que grita para toda gente:
-- COME ON BABY LIGHT MY FIRE!!!!
Pega numa mangueira grossa, abre-a e solta um jacto de leite por toda a pista de dança, molhando o pessoal até aos ossos, e sinto-me cada vez mais encharcado até afogar-me por completo naquela sala.
Abri os olhos subitamente, e vi que estava de novo no meu quarto. Sentei-me na cama, contemplando a luz do sol a aquecer as paredes lentamente. Esfreguei as pálpebras e bocejei. Hmm... ok, nem vou comentar sobre o significado deste sonho. Foi só uma brincadeira do meu subconsciente. Nada mais que isso. E podia ter sido pior. Tipo um sonho maroto com o Alberto João Jardim. Livra, nem com anos de terapia de grupo apagariam essa imagem da cabeça duma pessoa. Não não, só quero esquecer!
Mas prontos, aprendi a minha lição, já não volto mais a beber meio litro de leite gordo antes de ir dormir.
Espreguicei-me todo e fiquei na caminha a acordar durante um bocado. E naquele instante apetecia-me mesmo perguntar-te com o que é que sonhas todas as noites... se calhar com parvoíces homo-eróticas suspeitas como toda gente. Ou talvez não. É uma pena que não estivesses ao pé para me contar, enfim.
Não sei porquê, sentia-me meio sujo e peganhento ao acordar naquela manhã, por isso levantei-me aos poucos e fui para a casa de banho. Meti-me no duche e liguei a torneira.
Ah, ao fechar os olhos, entrei numa espécie de transe semi-hipnótico e durante esses breves minutos afundei-me num estado fora do meu corpo, longe do mundo, para além da via láctea. Num sítio onde não existem conceitos humanos de dor nem prazer, apenas Zen.
A maior parte das pessoas limita-se a lavar a poeira e o suor dos dias no banho... enquanto algumas agarram-se a outras nos chuveiros talvez para provarem desesperadamente que estão vivas, como também existem umas quantas almas alegres que só soluçam sob a corrente de água quente porque não querem que ninguém as ouça.
Não sei o que pensas durante o banho, mas quanto a mim eu só desejava acordar para a vida, e abri a torneira de água fria completamente. No entanto quando dei por mim, notei que nem sequer sob o jacto de água gélida o meu corpo tremia. Não conseguia sentir nada, porque possuía só um glaciar no lugar do coração.
Sorri para mim, tinha finalmente voltado ao normal.
Voltei para o quarto, vesti-me, e quando olhei para o relógio já passava do meio dia. Caraças, não apareci para o trabalho com os outros. Que irresponsável. Paciência, encolhi os ombros, não vale a pena chorar sobre leite derramado, está um dia tão radiante e azul lá fora. Dá mesmo vontade de espairecer e deliciarmo-nos nessa cena toda do carpe diem. Por isso saí de casa, liguei o MP3, e decidi ir à praia.
-- Tu???? Não pode ser. Nãaaaaooo.…
-- Esta é a verdade.
-- Não acredito, e então aqueles anos todos a seduzir raparigas? Foram pra quê pá?
-- Todos usamos máscaras, mas quando ela se torna demasiado pesada para carregá-la, ou nos libertamos dela através da verdade ou não vale a pena mais continuar vivo.
-- Huh?? Mas que parvoíces filosóficas são essas? O que é que te aconteceu homem?
-- Vem junta-te a mim... juntos conquistaremos a galáxia! – e estende a mão enluvada na minha direcção.
-- Nunca! – e atiro-me para o lado saindo da clareira para o meio das pessoas.
E de repente ao longe, aparece em cima das colunas um bombeiro de chapéu e calças amarelas com suspensórios, em tronco nu que grita para toda gente:
-- COME ON BABY LIGHT MY FIRE!!!!
Pega numa mangueira grossa, abre-a e solta um jacto de leite por toda a pista de dança, molhando o pessoal até aos ossos, e sinto-me cada vez mais encharcado até afogar-me por completo naquela sala.
Abri os olhos subitamente, e vi que estava de novo no meu quarto. Sentei-me na cama, contemplando a luz do sol a aquecer as paredes lentamente. Esfreguei as pálpebras e bocejei. Hmm... ok, nem vou comentar sobre o significado deste sonho. Foi só uma brincadeira do meu subconsciente. Nada mais que isso. E podia ter sido pior. Tipo um sonho maroto com o Alberto João Jardim. Livra, nem com anos de terapia de grupo apagariam essa imagem da cabeça duma pessoa. Não não, só quero esquecer!
Mas prontos, aprendi a minha lição, já não volto mais a beber meio litro de leite gordo antes de ir dormir.
Espreguicei-me todo e fiquei na caminha a acordar durante um bocado. E naquele instante apetecia-me mesmo perguntar-te com o que é que sonhas todas as noites... se calhar com parvoíces homo-eróticas suspeitas como toda gente. Ou talvez não. É uma pena que não estivesses ao pé para me contar, enfim.
Não sei porquê, sentia-me meio sujo e peganhento ao acordar naquela manhã, por isso levantei-me aos poucos e fui para a casa de banho. Meti-me no duche e liguei a torneira.
Ah, ao fechar os olhos, entrei numa espécie de transe semi-hipnótico e durante esses breves minutos afundei-me num estado fora do meu corpo, longe do mundo, para além da via láctea. Num sítio onde não existem conceitos humanos de dor nem prazer, apenas Zen.
A maior parte das pessoas limita-se a lavar a poeira e o suor dos dias no banho... enquanto algumas agarram-se a outras nos chuveiros talvez para provarem desesperadamente que estão vivas, como também existem umas quantas almas alegres que só soluçam sob a corrente de água quente porque não querem que ninguém as ouça.
Não sei o que pensas durante o banho, mas quanto a mim eu só desejava acordar para a vida, e abri a torneira de água fria completamente. No entanto quando dei por mim, notei que nem sequer sob o jacto de água gélida o meu corpo tremia. Não conseguia sentir nada, porque possuía só um glaciar no lugar do coração.
Sorri para mim, tinha finalmente voltado ao normal.
Voltei para o quarto, vesti-me, e quando olhei para o relógio já passava do meio dia. Caraças, não apareci para o trabalho com os outros. Que irresponsável. Paciência, encolhi os ombros, não vale a pena chorar sobre leite derramado, está um dia tão radiante e azul lá fora. Dá mesmo vontade de espairecer e deliciarmo-nos nessa cena toda do carpe diem. Por isso saí de casa, liguei o MP3, e decidi ir à praia.

1 commentários:
Hilariante!!!
Quanto ao significado desse sonho... sem comentários mesmo AHAHA
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