
One day Alice came to a fork in the road and saw a Cheshire cat in a tree.
‘Which road do I take?’ she asked.
‘Where do you want to go?’ was his response.
‘I don't know’, Alice answered.
‘Then’, said the cat, ‘it doesn't matter.’
Acordei na sala de cinema com as luzes a ligarem-se, e o barulho das poucas pessoas que estavam lá a levantarem-se dos seus lugares. Notei que eram todos ucranianos... estranho. Na tela do projector rolavam os créditos e admito que mal me lembrava do filme que tinha visto. Odeio quando saio do cinema e fico apenas com a impressão de que os efeitos especiais eram fantásticos, e tudo o resto é apagado da minha memória selectivamente por uma entidade endiabrada qualquer que adora gozar connosco. Sinto-me um bocado roubado, porque já sei que vou acabar nalgum dia por ver aquilo outra vez e outra e outra...
Enfim, esfreguei os olhos sonolentamente, vesti o meu casaco e saí do cinema meio badalhoco da cabeça. Mal passei para a rua, o ar gélido cortante tratou-me da saúde e acordou-me de vez.
1:25 da noite.
Acho que agora só me restava a opção de ir tomar uns copos talvez num bar quentinho e acolhedor aqui perto, com música catita estilo Tears For Fears, e uma barmaid boa como o milho que tenha rompido com o namorado e só queira saber de truca-truca sem compromissos. E depois quando chegar finalmente a manhã crua, vou apanhar a camioneta e bater uma sorna na viagem de volta a Lisboa. Ahuh, parecia-me bem.
E assim continuei pela rua abaixo, dando passadas largas numa direcção desconhecida sem me importar muito para onde ia, visto que eventualmente encontraria alguma coisa no meu caminho. Nem que fosse ter ao Oceano Atlântico, com os peixinhos e o pólen de haxixe atirado ao mar.
Mas porra, já estava a caminhar há uns bons dez minutos e ainda não tinha visto ninguém a passear nas ruas de Portimão, para além duns carros com os mesmos rostos anónimos sentados na escuridão das suas carcaças de metal e plástico, sempre com pressa para chegar a casa ou algures onde as mulheres não os possam chatear.
Ah era realmente uma daquelas noites em que o meu corpo não projectava nenhuma sombra sob o olhar desapaixonado da Lua minguante, e os meus passos não faziam qualquer ruído ao tocarem no chão. Sabes aquele dilema filosófico parvo, sobre a árvore que caí sozinha na floresta...? Era um bocado como isso, se ninguém te vê, ouve ou toca-te, então não passas dum fantasma, e pergunto-me se existes mesmo verdadeiramente? Como é que será viver eternamente nessa sensação? Hmm... acho que só vamos satisfazer essa curiosidade parva quando esticarmos o pernil. Enfim, mas deixemos essas ideias absurdas para outro dia num futuro longínquo.
As minhas mãos estavam geladas, começando a arder completamente de tanto frio que sentia, por isso meti as minhas luvas pretas, apertei o casaco, e abri a garrafa de licor que tinha comprado para molhar a garganta. Urrgh, não era mesmo grande coisa... O que eu não fazia por um vodka melancia fresquinho acabado de ser mexido.
Mas onde é que raios pára esse bar?? Fónix, até uma espelunca de strip servia, deve haver de certeza aqui alguma sempre aberta prós os turistas mais rebarbados.
Até que ao passar por uma rua mais transversal, ouço os graves abafados duma musiquinha irritante a soarem na zona. Olhei para o lado e vejo uma porta negra fechada sobriamente, um enorme cartaz a dizer “Proibida a entrada a menores de 18 anos”. Tinha como nome o bar do Pato, ou do Lagarto, já não me lembro, mas era dum bicho qualquer. Fiquei um bocado hesitante em entrar naquilo que parecia ser um sítio ligeiramente duvidoso, só que o ar de arrepiar ali fora não me deixava outra escolha à minha carcaça que estava a ficar azul e bati à porta.
Um homem corpulento de bigode abriu-me a porta, e eu dei-me com um bar realmente indescritível...
Ena pá... sabes aquelas cenas clichés dos westerns em que o cowboy forasteiro entra no saloon decadente, empurrando as portas movediças, e toda gente olha para ele, desde o velho bêbado zarolho à dançarina de cabaret atiradiça? Depois o vilão mal-humorado cospe pra o balde do cuspo e tu já sabes que vai acontecer zaragata a qualquer momento, porque o forasteiro chega ao barman e pede um copo de leite...
Pois eu não sei porquê, tive exactamente essa sensação de entrar na Twilight Zone de todos os Westerns de série B quando meti os pés lá dentro. Havia uma atmosfera tão cerrada a fumo de tabaco que podia agarrá-lo e pesá-lo ao quilo, misturada com um cheiro a suor velho e música portuguesa dos anos 80 a soar dumas colunas pequenas todas rebentadas. Era uma daquelas bandas de rock, os UHF, GNR ou Xutos... (euh, os fans que me perdoem pois nunca consegui distingui-los...)
O pessoal estava todo a inspeccionar-me da cabeça aos pés, e eu engoli em seco. Aquilo era um bar castiço povoado pelos mesmos rostos enrugados e sombrios sentados nos mesmos lugares, noite após noite, há sei lá quantos anos... e via-se nos olhos baços pelo nevoeiro dos cigarros que cada um tinha uma história triste por contar.
Ali dentro só se encontravam homens de barba rija, todos com mais de cinquenta anos, e nenhum deles sorria, mas muito menos choravam alguma vez na vida, com umas expressões indecifráveis de estátuas da Ilha da Páscoa, acentuadas pela amargura doce das luzes esverdeadas e vermelhas dum candeeiro mágico mal decorado, e lâmpadas incandescentes a morrerem amareladamente por detrás das prateleiras das bebidas. Não sei como explicar concretamente, mas havia ali uma certa harmonia tensa sustentada por copos de uísque meios vazios e pratos de amendoins salgados que nem o despoletar duma guerra iria mudar. Aproximei-me timidamente do balcão, o barman observando-me como se eu tivesse vindo doutro planeta pergunta-me:
-- Então o que é que vai ser?
Eu coço a cabeça e peço uma imperial. O tipo sem qualquer reacção enche-me aquilo, eu pago-lhe, ficando calado sem saber o que dizer.
E pus-me a beber devolvendo o olhar à malta que não parava de me perscrutar da semi-escuridão à volta do bar minúsculo. Alguns conversavam sobre futebol, o jogo do Benfica VS Porto daquela noite, outros sobre a vaga de emigrantes na cidade enquanto uns limitavam-se a esgazear em silêncio o reflexo no fundo dos seus copos.
Normalmente acenar com a cabeça compreensivamente mostrando o meu sorriso estúpido livra-me de muitos sarilhos, e dá para entender-me com a maior parte racional da Humanidade, desde ex-combatentes da guerra colonial a junkies intelectuais amantes de trance e até à crew residente de No Name Boys da Amadora. Mas hoje... Nunca tiveste uma daquelas noites que nem o menino Jesus terias paciência para ouvir? Pois, eu não conseguia realmente comunicar com a malta à minha volta. Talvez a única pessoa que aturaria naquele momento seria uma certa badalhoca meio passada dos carretos, mas ya, não se pode ter tudo. E assim o mundo continua a girar sob suspiros e risos mal contidos, as estações do ano a irem e virem, e o ciclo da vida a dirigir-se para o raio que o parta.
Bom, ao menos não tinha calhado num bar gay ou de extrema direita... por isso o meu rabiosque tava à salvo por esta noite. Mas não era por isso que andava mais confortável... sentia-me demasiado observado e foi sem dúvida a imperial mais interminável que eu alguma vez bebi, quase como tar enrolado com alguém enquanto bebes uns shots mesmo à frente dos pais, dum padre e um coro inteiro de miúdos da primária. Mal tinha acabado com aquilo, estava a pensar em pedir outra quando o barman vira-se para mim e diz:
-- Desculpe lá, mas vou fechar o estabelecimento. – e começa a limpar os copos e arrumar as coisas. Eu olho para o relógio.
2:00 da noite.
-- Huh? Ainda é um bocado cedo. Pensava que só noutros países da Europa os bares fechavam a esta hora. Aqui geralmente a festa dura até as tantas, não é? – perguntei meio espantado com a sobriedade destes algarvios.
-- Não no meu bar. – respondeu-me simplesmente.
Ok, eu também não ia insistir em quebrar com a longa tradição de negócio dele. Encolhi os ombros, levantei-me e bazei outra vez.
Regressei às sombras das ruas de Portimão, e continuei o meu passeio nocturno em busca do próximo local onde pudesse relaxar até de madrugada. O upgrade tão esperado. O Santo Graal. Era mesmo o El Dorado das noites urbanas tão carregadas de ansiedade suave e cobertas por um lençol complacente de inquietação que nos deixa tão loucos à medida que envelhecemos.
Prontos, prontos, pra ser sincero, apesar de querer desgraçar-me, não andava mesmo seriamente à procura de companhia ou daquela magia voodoo sintetizada em pequenos comprimidos para me abrir as portas a outros mundos. Dispenso a pílula vermelha, não me ia ajudar muito a divertir naquela noite, e quanto à azul, felizmente ainda não preciso de Viagra.
Enfim, esfreguei os olhos sonolentamente, vesti o meu casaco e saí do cinema meio badalhoco da cabeça. Mal passei para a rua, o ar gélido cortante tratou-me da saúde e acordou-me de vez.
1:25 da noite.
Acho que agora só me restava a opção de ir tomar uns copos talvez num bar quentinho e acolhedor aqui perto, com música catita estilo Tears For Fears, e uma barmaid boa como o milho que tenha rompido com o namorado e só queira saber de truca-truca sem compromissos. E depois quando chegar finalmente a manhã crua, vou apanhar a camioneta e bater uma sorna na viagem de volta a Lisboa. Ahuh, parecia-me bem.
E assim continuei pela rua abaixo, dando passadas largas numa direcção desconhecida sem me importar muito para onde ia, visto que eventualmente encontraria alguma coisa no meu caminho. Nem que fosse ter ao Oceano Atlântico, com os peixinhos e o pólen de haxixe atirado ao mar.
Mas porra, já estava a caminhar há uns bons dez minutos e ainda não tinha visto ninguém a passear nas ruas de Portimão, para além duns carros com os mesmos rostos anónimos sentados na escuridão das suas carcaças de metal e plástico, sempre com pressa para chegar a casa ou algures onde as mulheres não os possam chatear.
Ah era realmente uma daquelas noites em que o meu corpo não projectava nenhuma sombra sob o olhar desapaixonado da Lua minguante, e os meus passos não faziam qualquer ruído ao tocarem no chão. Sabes aquele dilema filosófico parvo, sobre a árvore que caí sozinha na floresta...? Era um bocado como isso, se ninguém te vê, ouve ou toca-te, então não passas dum fantasma, e pergunto-me se existes mesmo verdadeiramente? Como é que será viver eternamente nessa sensação? Hmm... acho que só vamos satisfazer essa curiosidade parva quando esticarmos o pernil. Enfim, mas deixemos essas ideias absurdas para outro dia num futuro longínquo.
As minhas mãos estavam geladas, começando a arder completamente de tanto frio que sentia, por isso meti as minhas luvas pretas, apertei o casaco, e abri a garrafa de licor que tinha comprado para molhar a garganta. Urrgh, não era mesmo grande coisa... O que eu não fazia por um vodka melancia fresquinho acabado de ser mexido.
Mas onde é que raios pára esse bar?? Fónix, até uma espelunca de strip servia, deve haver de certeza aqui alguma sempre aberta prós os turistas mais rebarbados.
Até que ao passar por uma rua mais transversal, ouço os graves abafados duma musiquinha irritante a soarem na zona. Olhei para o lado e vejo uma porta negra fechada sobriamente, um enorme cartaz a dizer “Proibida a entrada a menores de 18 anos”. Tinha como nome o bar do Pato, ou do Lagarto, já não me lembro, mas era dum bicho qualquer. Fiquei um bocado hesitante em entrar naquilo que parecia ser um sítio ligeiramente duvidoso, só que o ar de arrepiar ali fora não me deixava outra escolha à minha carcaça que estava a ficar azul e bati à porta.
Um homem corpulento de bigode abriu-me a porta, e eu dei-me com um bar realmente indescritível...
Ena pá... sabes aquelas cenas clichés dos westerns em que o cowboy forasteiro entra no saloon decadente, empurrando as portas movediças, e toda gente olha para ele, desde o velho bêbado zarolho à dançarina de cabaret atiradiça? Depois o vilão mal-humorado cospe pra o balde do cuspo e tu já sabes que vai acontecer zaragata a qualquer momento, porque o forasteiro chega ao barman e pede um copo de leite...
Pois eu não sei porquê, tive exactamente essa sensação de entrar na Twilight Zone de todos os Westerns de série B quando meti os pés lá dentro. Havia uma atmosfera tão cerrada a fumo de tabaco que podia agarrá-lo e pesá-lo ao quilo, misturada com um cheiro a suor velho e música portuguesa dos anos 80 a soar dumas colunas pequenas todas rebentadas. Era uma daquelas bandas de rock, os UHF, GNR ou Xutos... (euh, os fans que me perdoem pois nunca consegui distingui-los...)
O pessoal estava todo a inspeccionar-me da cabeça aos pés, e eu engoli em seco. Aquilo era um bar castiço povoado pelos mesmos rostos enrugados e sombrios sentados nos mesmos lugares, noite após noite, há sei lá quantos anos... e via-se nos olhos baços pelo nevoeiro dos cigarros que cada um tinha uma história triste por contar.
Ali dentro só se encontravam homens de barba rija, todos com mais de cinquenta anos, e nenhum deles sorria, mas muito menos choravam alguma vez na vida, com umas expressões indecifráveis de estátuas da Ilha da Páscoa, acentuadas pela amargura doce das luzes esverdeadas e vermelhas dum candeeiro mágico mal decorado, e lâmpadas incandescentes a morrerem amareladamente por detrás das prateleiras das bebidas. Não sei como explicar concretamente, mas havia ali uma certa harmonia tensa sustentada por copos de uísque meios vazios e pratos de amendoins salgados que nem o despoletar duma guerra iria mudar. Aproximei-me timidamente do balcão, o barman observando-me como se eu tivesse vindo doutro planeta pergunta-me:
-- Então o que é que vai ser?
Eu coço a cabeça e peço uma imperial. O tipo sem qualquer reacção enche-me aquilo, eu pago-lhe, ficando calado sem saber o que dizer.
E pus-me a beber devolvendo o olhar à malta que não parava de me perscrutar da semi-escuridão à volta do bar minúsculo. Alguns conversavam sobre futebol, o jogo do Benfica VS Porto daquela noite, outros sobre a vaga de emigrantes na cidade enquanto uns limitavam-se a esgazear em silêncio o reflexo no fundo dos seus copos.
Normalmente acenar com a cabeça compreensivamente mostrando o meu sorriso estúpido livra-me de muitos sarilhos, e dá para entender-me com a maior parte racional da Humanidade, desde ex-combatentes da guerra colonial a junkies intelectuais amantes de trance e até à crew residente de No Name Boys da Amadora. Mas hoje... Nunca tiveste uma daquelas noites que nem o menino Jesus terias paciência para ouvir? Pois, eu não conseguia realmente comunicar com a malta à minha volta. Talvez a única pessoa que aturaria naquele momento seria uma certa badalhoca meio passada dos carretos, mas ya, não se pode ter tudo. E assim o mundo continua a girar sob suspiros e risos mal contidos, as estações do ano a irem e virem, e o ciclo da vida a dirigir-se para o raio que o parta.
Bom, ao menos não tinha calhado num bar gay ou de extrema direita... por isso o meu rabiosque tava à salvo por esta noite. Mas não era por isso que andava mais confortável... sentia-me demasiado observado e foi sem dúvida a imperial mais interminável que eu alguma vez bebi, quase como tar enrolado com alguém enquanto bebes uns shots mesmo à frente dos pais, dum padre e um coro inteiro de miúdos da primária. Mal tinha acabado com aquilo, estava a pensar em pedir outra quando o barman vira-se para mim e diz:
-- Desculpe lá, mas vou fechar o estabelecimento. – e começa a limpar os copos e arrumar as coisas. Eu olho para o relógio.
2:00 da noite.
-- Huh? Ainda é um bocado cedo. Pensava que só noutros países da Europa os bares fechavam a esta hora. Aqui geralmente a festa dura até as tantas, não é? – perguntei meio espantado com a sobriedade destes algarvios.
-- Não no meu bar. – respondeu-me simplesmente.
Ok, eu também não ia insistir em quebrar com a longa tradição de negócio dele. Encolhi os ombros, levantei-me e bazei outra vez.
Regressei às sombras das ruas de Portimão, e continuei o meu passeio nocturno em busca do próximo local onde pudesse relaxar até de madrugada. O upgrade tão esperado. O Santo Graal. Era mesmo o El Dorado das noites urbanas tão carregadas de ansiedade suave e cobertas por um lençol complacente de inquietação que nos deixa tão loucos à medida que envelhecemos.
Prontos, prontos, pra ser sincero, apesar de querer desgraçar-me, não andava mesmo seriamente à procura de companhia ou daquela magia voodoo sintetizada em pequenos comprimidos para me abrir as portas a outros mundos. Dispenso a pílula vermelha, não me ia ajudar muito a divertir naquela noite, e quanto à azul, felizmente ainda não preciso de Viagra.

Não sei o que dizer ao viajar sempre pela vida através desta área cinzenta de interferência que não é confortavelmente segura como nadar aos círculos num aquário sem predadores, nem é propriamente o inferno duma experiência verdadeira e dura de escalar o Monte Evereste sem oxigénio de rebentar com os nossos próprios limites.
Será que isto é apenas mera teimosia ou simplesmente muitas noites mal dormidas por causa de indecisões pessoais? E nós conhecemos bem aonde isso leva, não é toa que o sacana do Hamlet com o seu “ser ou não ser” existencial provoca a morte acidental ou não da Ofélia e de toda gente que o rodeia. E depois de fazer tanta merda, vai também com os porcos. É por isso que eu gosto é daquele personagem menor, o Príncipe da Noruega que anda por ali a passear sabe-se lá a fazer o quê na peça, sempre distante e na boa, e depois rouba a última cena em toda a sua glória. Que estilo, pá.
Hmmm... Agora quanto a ti.... também não tenho a certeza onde te encontras exactamente... Mas tenho uma vaga noção que vais mudando e atravessando os dias às vezes como te dá na gana e outras vezes deixas-te levar apenas ao sabor das ondas.
Fazer uma escolha, tomar uma atitude, desde escolher o sabor dum gelado a decidir o que fazer da vida num mundo em que não há certos nem errados é certamente a coisa mais difícil que um ser humano tem que inevitavelmente enfrentar.
Felizmente hoje eu só precisava de escolher qual era o bar seguinte em que eu ia fritar.
Será que isto é apenas mera teimosia ou simplesmente muitas noites mal dormidas por causa de indecisões pessoais? E nós conhecemos bem aonde isso leva, não é toa que o sacana do Hamlet com o seu “ser ou não ser” existencial provoca a morte acidental ou não da Ofélia e de toda gente que o rodeia. E depois de fazer tanta merda, vai também com os porcos. É por isso que eu gosto é daquele personagem menor, o Príncipe da Noruega que anda por ali a passear sabe-se lá a fazer o quê na peça, sempre distante e na boa, e depois rouba a última cena em toda a sua glória. Que estilo, pá.
Hmmm... Agora quanto a ti.... também não tenho a certeza onde te encontras exactamente... Mas tenho uma vaga noção que vais mudando e atravessando os dias às vezes como te dá na gana e outras vezes deixas-te levar apenas ao sabor das ondas.
Fazer uma escolha, tomar uma atitude, desde escolher o sabor dum gelado a decidir o que fazer da vida num mundo em que não há certos nem errados é certamente a coisa mais difícil que um ser humano tem que inevitavelmente enfrentar.
Felizmente hoje eu só precisava de escolher qual era o bar seguinte em que eu ia fritar.


