Eu toquei à campainha do prédio e acenei pra câmara à minha frente.
Bom, acabei por ir à festa por ser uma coisa casual em que não era preciso usar fatiote. E também porque não havia nada no meu frigorífico pra além duma lata de atum aberta à uma semana, e uns blocos de manteiga e queijo do século passado.
Ya porque se isto fosse uma daquelas reuniões de liceu da classe de 2004, acho que até preferia ir curtir num comício de extrema-direita, ou menos haveria porrada. Nunca tive uma curiosidade mórbida em saber quem perdeu cabelo e engordou, quem aumentou as mamas, quem se anda a drogar e acabou numa clínica de reabilitação, quem enriqueceu à pala duma empresa de toques pra telemóveis ou quem anda a comer a mulher doutro…
Apesar de ser muito nostálgico, prefiro apreciar o presente. Não sei se esse é o teu caso, se calhar até gramas convívios de antigos alunos e se te faz rir um bocado, fico contente por ti.
De repente ouço uma voz meio labrega vinda do inter-comunicador:
-- EH lá, olha quem ele é?? Será que abrimos a porta este cabrão?
-- Não sei, não sei, só se ele nos trazer vinho! TENS BINHO?? – responde outra voz ainda mais castiça.
-- Abram essa merda pá! – reclamei já impaciente
-- Ok, ok, entra lá homem! – o trinco da porta abriu-se e eu entrei contente sabendo ao menos que ia hoje tirar a barriga da miséria.
Subi no elevador e bati à porta do apartamento. Ela abre-se e sou surpreendido por uns velhos colegas do meu grupo de escola.
-- Hei hei, aqui está o grande rei! Dá cá mais cinco! – cumprimentou-me o Rapaz-Culto.
-- Olá meu grande filho do puta, o que é que te aconteceu?? Pensava que tinhas morrido. – comentou o Rapaz-Rebelde completamente parvo por me ver ao final de tantos anos.
-- Nope, tou aqui e bem vivinho da silva.
-- Ainda bem, chega aqui e dá cá um abraço cabrão!!
E dão-me uns abraços de urso quase que sufocava. Uau, até parece que o tempo andou para trás, será que há certas coisas que nunca mudam?
Nunca mudam… nunca mudam…
nunca mudam… nunca mudam…
Uma gota de água límpida cai no meu lago nocturno de memórias… agitando a superfície com ondas doces de melancolia… Sim… lembrei-me subitamente de tudo até a cada pormenor.Bom, acabei por ir à festa por ser uma coisa casual em que não era preciso usar fatiote. E também porque não havia nada no meu frigorífico pra além duma lata de atum aberta à uma semana, e uns blocos de manteiga e queijo do século passado.
Ya porque se isto fosse uma daquelas reuniões de liceu da classe de 2004, acho que até preferia ir curtir num comício de extrema-direita, ou menos haveria porrada. Nunca tive uma curiosidade mórbida em saber quem perdeu cabelo e engordou, quem aumentou as mamas, quem se anda a drogar e acabou numa clínica de reabilitação, quem enriqueceu à pala duma empresa de toques pra telemóveis ou quem anda a comer a mulher doutro…
Apesar de ser muito nostálgico, prefiro apreciar o presente. Não sei se esse é o teu caso, se calhar até gramas convívios de antigos alunos e se te faz rir um bocado, fico contente por ti.
De repente ouço uma voz meio labrega vinda do inter-comunicador:
-- EH lá, olha quem ele é?? Será que abrimos a porta este cabrão?
-- Não sei, não sei, só se ele nos trazer vinho! TENS BINHO?? – responde outra voz ainda mais castiça.
-- Abram essa merda pá! – reclamei já impaciente
-- Ok, ok, entra lá homem! – o trinco da porta abriu-se e eu entrei contente sabendo ao menos que ia hoje tirar a barriga da miséria.
Subi no elevador e bati à porta do apartamento. Ela abre-se e sou surpreendido por uns velhos colegas do meu grupo de escola.
-- Hei hei, aqui está o grande rei! Dá cá mais cinco! – cumprimentou-me o Rapaz-Culto.
-- Olá meu grande filho do puta, o que é que te aconteceu?? Pensava que tinhas morrido. – comentou o Rapaz-Rebelde completamente parvo por me ver ao final de tantos anos.
-- Nope, tou aqui e bem vivinho da silva.
-- Ainda bem, chega aqui e dá cá um abraço cabrão!!
E dão-me uns abraços de urso quase que sufocava. Uau, até parece que o tempo andou para trás, será que há certas coisas que nunca mudam?
Nunca mudam… nunca mudam…
nunca mudam… nunca mudam…
Dum sonho um bocado desencantado que tive há algumas noites atrás.
Corria um dia cinzento como outro qualquer… E um homem estava a passear pelas arcadas duma rua de lojas, onde havia decorações de Natal por todos os lados, mas as pessoas que passavam não sorriam nem bufavam. Andavam todas apressadas de rosto macambúzio, enroscadas nos seus cachecóis e problemas pessoais. O homem aperta o casaco, estava frio, mas era um frio mais psicológico que queimava por dentro, como se alguém tocasse-te nas entranhas com um cubo de gelo durante muito tempo.

Ele pára à frente duma montra de brinquedos, olhando-se por uns momentos no reflexo do vidro. O homem ajeita o penteado curto teimoso com as mãos, desejando ter ali agora um tubo de gel pra gastar. Ele era um gajo mais velho, de trinta e tal anos, com barba por fazer, um bocado mal vestido, mas tinha ar de ser um tipo fixe com muitas histórias pra contar.
Sim… eh eh, era eu.
Meti um cigarro na boca e acendi-o calmamente, inalando o fumo profundamente, saboreando-o nos meus pulmões.
Virei-me e continuei a andar pela rua fora, apesar de saber que não tinha pra onde ir. Estava só a matar tempo até anoitecer. Nem percebo como é que sabia isso, não é como se alguém tivesse me informado desse facto. Simplesmente tinha essa sensação já dentro de mim.
Até que ao caminhar pelo passeio, passa uma mulher por mim. Ela pára de repente e chama pelo meu nome.
-- És mesmo tu? Hei, como é que vai isso?
-- Huh? – outra vez estas cenas de pessoas a reconhecerem-me e eu não ter a mínima ideia de quem são. Que chatice.
-- Que prazer em ver-te. Há tanto tempo.
-- Desculpa, mas quem és tu?
-- Então não te lembras de mim? Sou eu, a Rapariga do Lado.
-- ….. – eu fiquei estupefacto, deixando cair o cigarro.
Não podia ser. Estavas completamente diferente, de cabelo louro, fatinho de executiva cheio de classe, e com um aspecto saudável nada sub-nutrido. Mas o que me deixava completamente arrepiado é que os teus olhos já não eram os mesmos. Não conseguia ver aquele brilho familiar, não sei como explicar bem por palavras, como se no futuro te tivesses tornado numa pessoa fria incapaz de sentir o que quer seja.
Eu fiquei bastante silencioso, enquanto tu começaste a falar incessantemente sobre a tua vida, o trabalho, o divórcio e blah blah blah. Sem saber exactamente no que dizer, limitava-me a acenar com a cabeça e a pensar simplesmente num coisa.
Mudaiste!! Mudaiste!!
Mudadeicetea!
Foi nesse momento que fiquei desiludido por saber que a memória da pessoa que guardava no coração simplesmente tinha deixado de existir.
No final, convidas-me pra um café mas eu respondo logo que tenho imensas coisas pra fazer e vou-me embora dali a correr sem olhar pra trás, até desaparecer no fim da rua e fundir-me com a luz ao fundo.
Acordei nessa manhã cheio de dores de cabeça… ficando na cama a olhar pró tecto durante meia eternidade que se diluía hora após hora. Finalmente respirei de alívio… ufa… ainda bem que foi só um sonho idiota. Felizmente que também não tenho capacidades videntes para-normais. Espero eu que não. Porque uma das maiores alegrias para mim é realmente tu seres como és. E não estou desta vez a referir-me ao facto de seres uma parvalhona um bocado queimada. Ahhh, provavelmente só admito isto agora porque não estou a conversar contigo pessoalmente. Sim, acho que te escrevo porque me fazes lembrar a mim mesmo há muito tempo atrás…
E no fundo quando penso bem nisso, eu sou o único que mudei completamente.
Depois dos cumprimentos dos meus velhos amigos, fui buscar qualquer coisa pra trincar e embrenhei-me na cozinha, até que choquei com outra personagem familiar do meu passado.

3 commentários:
قمة عالمية البرتغا الكاتب cristovao دي اغيار.
وهو ، أيضا ، وترجمت الى اللغة البرتغاليه ثروه الامم من آدم سميث.
وقد منح العديد من الجوائز.
لا تنسوا اسم هذا الكاتب العظيم ، يمكنك الاستماع اليه قريبا.
اشكركم على انفاق الوقت في الثقافة العالمية.
شكرا للزيارة
MIGUEL TORGA
O LAVRADOR DAS LETRAS
UM PERCURSO PARTILHADO
DE CRISTÓVÃO DE AGUIAR
UM PEQUENO GRANDE LIVRO
LEIA A PRÉ-PUBLICAÇÃO
Gostei desse sonho! =)
www.glyphica.blogspot.com
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